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Duro mesmo foi ver o constrangimento
daquela senhora no caixa do supermercado: Suas compras totalizaram
vinte e nove reais e sessenta e cinco centavos e só havia,
em
uma das suas mãos, uma cédula
solitária de
vinte.
Teria que fazer a
devolução de alguns itens, e a menina do caixa
já a olhava com trejeitos de pouca paciência. Eu,
ali ao lado, observava todo o seu desespero, sem saber muito bem o que
fazer. Parecia uma escolha difícil entre o que podia e o que
não podia deixar de levar.
Primeiro tirou o pacote de salsichas;
exatos três reais, e talvez a sua única
“mistura” do almoço daquele domingo de
sol. Depois a margarina; dois reais e noventa centavos. Precisava se
desfazer ainda de três reais e setenta e cinco centavos A
escolha parecia agora ainda mais complexa, entre o litro de leite e o
pacote de feijão.
Confesso que doeu! Paguei a
diferença e ela se foi com um sorriso no rosto, como se
tivesse levado tudo que havia deixado para trás.
Alguém, por acaso, tem
idéia da dimensão do sofrimento de uma
mãe que passa por tal situação?
Aqueles três reais e setenta e cinco centavos não
iriam resolver todos os seus problemas, mas naquele momento, resolveu
parte
do dela e outra parte do meu, que só queria dar fim
àquele triste episódio.
Conta a história que uma
professora pedira aos seus alunos que nomeassem as sete maravilhas do
mundo; e sete, entre eles, se saíram muito bem:
1-
Pirâmide
de Quéops
2-
Jardins
suspensos da Babilônia
3-
Estátua
de Zeus em Olímpia
4-
Templo
de Ártemis em Éfeso
5-
Mausoléu
de Halicarnasso
6-
Colosso
de Rodes
7-
Farol
de Alexandria
Apenas um, entre os alunos, questionou a
razão de não constar da lista a
própria Vida, a Visão, o Sol; entre outras tantas
mais, que pensamos existir por mera
obrigação.
Para aquela senhora do supermercado
teria sido
uma “Maravilha” ter levado todas as suas compras; e
isso só lhe custaria exatos vinte e nove reais e sessenta e
cinco
centavos. Era só isso que ela queria para ter ali aquele seu
momento de felicidade. E a sua, quanto custa?
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