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Quando Deus criou a rosa,
A fez com muito carinho,
Mas por quê a mais linda das flores
Precisa ter tantos espinhos?

Tão bonita,
Tão perfeita,
Tão delicada,
Que por ninguém poderia ser tocada.

Com certeza,
Deus deu espinhos a rosa para sua própria defesa.

Creio que Deus cometeu uma distração,
Pois nem todos os perigos vêm pelo chão.

Assim, estava a rosa no seu jardim,
Balançando com o vento,
Quando algo aconteceu naquele exato momento.

O perigo não vinha pelo chão,
Mas voava alto e pairava no ar,
Como a nossa imaginação.

Era um beija-flor,
E da rosa se aproximou.

Contra ele a rosa não tinha defesa,
Pois a conquistou direto pela sua cabeça.
Nenhum espinho o atingia,
E podia ter a rosa,
Do jeito que queria.

Tão lindo e colorido como a rosa,
Parecia uma união perfeita,
E toda defesa da rosa,
Naquele momento foi desfeita.

O beija-flor a rosa tocou,
E a beijou...

Vendo isto, Deus se assustou,
Mas achou tão lindo e tão perfeito,
Que finalmente abençoou.


A rosa tentou dele esquecer,
Mas contra o Amor e a benção de Deus,
Nada pôde fazer...

Eu sou o beija-flor,
E a rosa o meu Amor!



Carlos Lucchesi

Dedico este texto à escritora Sylvia Seny
por sua rara e incomparável sensibilidade.



                                                                                                     


                                                                   
                                                                       Um Amor que iniciou porque Deus se descuidou