
O que gosto em você
não é a sua beleza,
Dom de
Deus, com toda certeza;
Nem o
seu modo de andar,
Se
poucas vezes a vi caminhar;
Tampouco
o balançar de suas cadeiras;
Flashes
de imaginação,
Minha
pura besteira.
O que
mais gosto em você não é a sua boca
molhada,
Por
mim poucas vezes beijada;
Nem o
seu olhar cativante,
Que
tive apenas por instantes.
O que
gosto em você não é a sua
língua dançante,
Que
senti num desses beijos provocantes.
O que
mais gosto em você não são os seus
olhos cor de mel,
Brilho
de estrela jamais vista no céu;
Nem da
lágrima que deles desceu,
Pois
suspeito que isso nunca aconteceu;
Tampouco
o seu cabelo desarrumado,
Se
jamais acordei ao seu lado.
O que
quero de você não é a sua sexualidade,
Pois
jamais experimentei de verdade.
Não
quero seu "vulcão" sexual,
Pois
dele nunca vi nenhum sinal.
O que
mais quero de você não é o aperto do
seu abraço,
Pois
isso eu mesmo faço,
Nem os
seus movimentos sobre o meu corpo deitado;
Sonho
pedido, nunca realizado.
O que
admiro em você não é o seu modo alegre
de viver,
Pois
isso nunca pude perceber;
Nem a
sua capacidade de dizer "não",
Produto
da ausência de amor no seu coração.
O que
mais admiro em você não é o seu jeito
de dizer "amor",
Pois
dessa palavra nunca tive o sabor.
O que
adoro em você não é a sua capacidade de
amar,
Pois
isso você nunca pôde provar.
O que
mais adoro em você não é a sua
proclamada sinceridade,
Poucas
vezes sentida de verdade;
Nem
sua clara indecisão,
Fruto
do desconhecimento do próprio coração;
Tampouco
a sua teimosia
Que
faz do amor, mera fantasia.
O que
me intriga em você é essa total
contradição,
Que
faz da felicidade, contramão.
O que
amo em você é esse seu dom de poder despertar
A
minha capacidade de amar
Que
consegue fazer renascer,
Esse
dom divino de tudo isso poder escrever.
O que
sinto falta em você é uma coisa um pouco
engraçada:
É tudo e nada!
Carlos Lucchesi
Locução
Carlos Muniz
