Certa
ocasião pediram a um cego de nascença que falasse
sobre o esplendor
da luz do sol. Ele respondeu que poderia tentar, mas suas palavras
teriam mais vigor, mais autoridade, mais verdade se dissertasse sobre
as trevas, pois sua retina jamais havia experimentado aquela
experiência.
Quando o poeta
escreve, não necessariamente dissertará sobre
coisas vividas, mas será mais verossímil, mais
convincente e passará mais verdade se assim o fizer.
Todinho é uma destas experiências, onde
cada palavra, cada frase, cada vírgula aconteceu de fato,
tal como o texto descreve, na locução do grande
amigo Flávio Cardoso. Aqui deixei de lado a
ficção e olhei diretamente para o esplendor do
sol, na busca do meu próprio passado.
Carlos Lucchesi
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