
Era
dia de natal e em meio a tantas outras casas, uma se destacava por sua
pobreza
e simplicidade. Todo movimento das ruas havia cessado, pois se
aproximava a
meia-noite do natal...
Na mais humilde das casas havia uma criança muito triste.
Nada naquele lugar
parecia lembrar uma verdadeira noite de natal.
Desde pequenino sonhara em ter seu próprio pônei.
Natais seguidos se passaram
sem que visse seu sonho realizado. Sua imensa tristeza contagiava pai e
mãe, e
o espírito do natal jamais existiu naquele Lar.
Deitou-se cedo naquela noite, afim de não ter a mesma
decepção dos natais
anteriores, e mergulhou em sono profundo.
Aquela seria uma longa noite e os acontecimentos que se seguiram
mudariam todo
o curso dessa nossa narração...
Um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho para saber o motivo de tanta
tristeza.
Contou-lhe toda sua história, e então, o anjo
disse-lhe que depois dele viriam
outros três anjos que o levaria em uma longa viajem, e que
aguardasse por eles
naquela mesma noite.
Assim, veio o primeiro anjo; tomou a criança em seus
braços e a levou para rumo
desconhecido.
O menino disse-lhe que se tivesse muito dinheiro, compraria seu lindo
pônei e
teria de volta toda sua alegria.
O anjo o levou a uma casa cheia de riquezas e espiaram pela janela.
Havia uma
enorme mesa posta na sala e ao seu redor, apenas mãe e
filhos. O chefe da casa
parecia ser pessoa muito ocupada e lá não estava
para partilhar o espírito do
natal. Mesmo numa mesa farta não havia alegria! Disse
então ao anjo, que desejaria
ter muito dinheiro e tempo para dividir com a sua família.
Veio o segundo anjo e o levou a uma casa não menos rica.
Espiaram pela janela.
No meio da sala havia uma enorme mesa repleta de comidas e bebidas; ao
redor da
mesa, apenas pai e filhos. A dona da casa repousava em leito adoecida
de morte.
Apesar de tantas riquezas e todo tempo do mundo, não havia
também naquele Lar a
alegria e o espírito do natal.
O terceiro anjo lhe fez imaginar que espiava pela janela de uma outra
casa, e
lá ele não viu nenhuma riqueza, nem mesa farta.
Unidos ao redor da mesa, pai, mãe e filho.
Abraçavam-se, riam, festejavam a
valer, e disse então o menino: "Meu sonho é ter
uma família como esta”.
Respondeu o anjo do Senhor: ”Olhe mais atentamente, pois
aquele homem é seu
pai, aquela é sua mãe, o menino entre eles
é você, e esta é sua própria
casa.
Ao acordar deste sonho, apenas permita que ele se torne
realidade”.
Os sinos batiam meia-noite e o menino acordou em alvoroço,
causando espanto a
seus pais. Disse: "Vamos nos unir ao redor da mesa, agradecer a Deus
por
tanto que nos deu e festejar a vinda do Senhor”.
Tamanha alegria causou espanto a toda vizinhança, pois
não entendiam porque em
casa tão humilde havia motivo para tantos festejos.
Já nem lembrava mais do tão
sonhado pônei quando se ouviu um ruído
à porta da casa.
Ao abri-la, imaginou ainda estar sonhando; estava lá seu
lindo pônei!
Talvez deixado por alguma pessoa caridosa,... Pensaram seus pais.
O menino sabia que não e em pensamento agradeceu aos anjos
do Senhor, e o
espírito do natal esteve com eles sempre presente.
Este menino jamais contou seu sonho a alguém. Só
lhes conto esta história
porque um dia eu fui esse menino...
