Só
Poesias
Carlos Lucchesi
Jogos de Amor
Por
onde ela passa,
A rua
se enche de graça;
Por
onde caminha,
Abrem
espaço até as pequenas pedrinhas.
A
grama crescida
Deita-se
toda oferecida.
Até
as crianças que brincam na praça
Param
de fazer tanta arruaça.
Ela
caminha triunfante:
Suave,
com charme, elegante.
Parece
uma cinderela
Desfilando
em plena passarela.
O
velho assanhado,
Arrisca
um olhar meio de lado
E
até o padre de batina
Tropeça,
ao olhar aquela menina.
Ela
segue em frente,
Levando
os olhos de toda gente.
Ao
cruzar uma rua movimentada,
O
guarda apitou
Para
que todos fizessem parada.
Ouviram-se
muitos assovios e "psiu!"..."psiu!";
Sequer
olhou, seguiu...
Quando
o sol se pôs forte no céu,
Uma
nuvem se dobrou sobre ela
Como
se fosse um enorme véu.
Num
instante a chuva caiu
E
só sobre ela o sol leve se abriu.
Caminhou
até que ninguém mais pudesse ver;
O sol
se foi com ela
E veio
o escurecer...
Essa
menina é você!
Menina
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O amor é um
sentimento
Que se transforma
A cada momento.
Não é uma viagem
marcada
Que tem hora de saída
E hora de chegada,
Não é uma partida
de futebol
Em que tudo acaba
Com o apito final.
O amor pode ser uma
viagem,
Mas sem paradas
No meio da estrada.
O amor não é ciência
exata,
Onde zero mais zero
É igual a nada.
Assim como em um
avião,
Não se pode descer do amor
Antes de se chegar no
chão.
O caminho do
amor
Não é uma estrada reta e asfaltada;
Antes disso, com muitas
curvas
E esburacada.
O amor não é uma corrida que iniciou,
Onde
tudo termina
No mesmo lugar que começou.
Antes de tudo,
O amor é
independente,
Pois não se submete
A vontade da gente.
É um
sentimento
Que não podemos controlar
E quem o faz, na verdade,
Nunca
soube o que é amar.
Amar é caminhar rumo ao desconhecido.
É chegar sem jamais ter começado
E voltar sem nunca ter ido.
Quem joga com o
amor,
Deixa uma coisa esquecida:
Que assim como no futebol,
Há dois
lados numa mesma partida!
Desculpe, foi engano!
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Quando o celular
tocou, pensei:
É ela, bem sei!
Por pouco não acreditei estar
enganado,
Pois pelas palavras que dizia,
Mais parecia,
Um sargento de
cavalaria
Dando bronca num soldado.
E assim, com voz de mascar
chicletes,
Perguntou-me porque eu a havia deixado
Falando sozinha na
net.
Não ouví nenhum sentimento de carinho
E mesmo falando com
ela,
Fiquei ainda mais sozinho.
De amor não escutei nenhuma
palavra,
Só mais broncas,
Enquanto o tempo passava...
Ao final da
comunicação,
Não chegamos a nenhuma conclusão,
Pois enquanto eu dizia
sim,
Ela respondia "não".
Creio que a ligação caiu de repente
De
tanto medo que teve da gente!
Assim, fiquei ali parado, pensando
desolado:
Que tipo de homem é este que dorme ao seu lado,
Que transforma
uma linda mulher em sargento
E eu em soldado?
Desculpe, foi
engano!
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Ser Criança
A maior de todas as
esperanças
É quando nasce uma criança.
É o milagre da vida que
acontece
E toda tristeza alí desaparece.
Ser criança é conhecer a
verdadeira felicidade,
É viver na mais pura ingenuidade.
Ser criança é
ter esperança,
É viver cada momento,
Sem mágoas, sem rancores,
Ou
qualquer ressentimento.
É brincar de marido e mulher,
Sem exigir um
beijo sequer.
É brincar de amarelinha,
De pique esconde
E
cirandinha.
É dormir logo para ver o dia chegar.
É sonhar e nada ter
com que se preocupar.
Ser criança é brigar com o amiguinho
E no minuto
seguinte lhe fazer um carinho.
É rir, se divertir e até fazer
caretas.
Quero voltar a ser criança!
_Mamãe, cadê minha
chupeta?
Flecha Atirada
Diz um ditado
chinês,
Que quatro coisas não podem ser mudadas:
O tempo passado,
A
chance perdida,
A palavra proferida
E a flecha lançada.
O tempo
passado,
Pode, ao menos, ser lembrado;
A chance perdida,
Pode acontecer
de novo em nossas vidas;
A palavra proferida,
Com o tempo, pode até ser
esquecida.
Já com a flecha lançada,
Não podes fazer mais nada;
Pois
enquanto lias estes versos,
Aproveitei-me da sua distração
E apontei para
o seu coração.
Se te feri de alguma forma,
Desculpe-me pelo mau
jeito;
É que quando atiro uma flecha,
O meu alvo é sempre o
peito!
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Eclipse do Amor
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No céu reinava a
lua,
Cheia, brilhante, perfeita;
Contudo, insatisfeita.
Procurava
seu par,
Mas só encontrava,
Seu próprio reflexo no mar.
Certo dia
se descuidou
E da sua hora de dormir, então passou;
Foi quando algo súbito
aconteceu:
Uma imensa luz no horizonte apareceu.
Jamais havia visto
algo igual,
Pois alternava, a luz da noite e do dia, com o
sol.
Naquele momento,
Este encontro aconteceu
E a luz da lua,
O
sol escureceu.
O mar ficou estarrecido,
Pois jamais havia,
O sol e
a lua,
Ao mesmo tempo refletido.
Contudo, manteve-se
sereno,
Entendeu a grandeza,
Daquele momento supremo.
Quando o sol
no céu se colocou,
Lado a lado com a lua então ficou.
Foram olhares
penetrantes
E um brilhava dentro do outro,
A cada instante.
E como
em um eclipse total,
A lua se atirou nos braços do sol.
O inevitável
então aconteceu:
O sol, na lua, um beijo deu.
Foi assim que esse
romance começou
E a lua, pelo sol, se apaixonou.
Já eram dois no
reflexo do mar
E naquele momento decidiram,
Nunca mais, um do outro se
separar.
Por isso, se os dois juntos
No céu você perceber,
Procure
os olhos desviar,
Pois se encontram,
Não apenas para
iluminar.
Creio que você já percebeu,
Que você é a lua
E o sol sou
eu!
Coisa rara,
É
algo difícil de se encontrar,
É aquilo que não existe em qualquer
lugar.
É o que quase acabou,
E pouco dela restou.
Uma coisa
rara,
Não se encontra espalhado pelo chão,
Não está disponível,
Ao
alcance da nossa mão.
É algo diferente,
Objeto de desejo de muita
gente.
Coisa rara,
Não é uma só coisa qualquer;
Pode ser o
ouro,
O diamante,
Um homem ou uma mulher.
É tão diferente
que,
Muitas vezes, não a reconhecemos,
Mesmo estando ao lado da
gente.
Uma coisa rara não é algo fácil de perceber,
Pois a raridade,
na verdade,
Está nos olhos de quem vê.
Pode estar ao nosso lado
E
não nos chama a atenção,
Pois, as vezes, a coisa rara,
Só é vista com o
coração.
Coisa Rara
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