
Carlos Lucchesi
... Eu
já estava pronto para apagar as luzes. Era só
sair e bater a porta.
No
último instante, e só no último
instante; quando me voltei pra guardar nas lembranças aquele
cenário, a imagem dela surgiu na minha mente.
Hesitei...
Não
queria me sentar de novo naquela cadeira. Achava que não
tinha mais forças pra recomeçar.
A
mão ainda sobre a maçaneta da porta parecia um
desejo forte. Quase me obrigava a ignorar meus pensamentos.
Tentei
ouvir a razão, e ela me deu muitas razões pra
girar a maçaneta e sair. Mas a cadeira permanecia
quente, como se nela ainda tivesse parte de mim.
Estava
tudo lá na máquina. Letras vivas, fortes, que
pareciam querer pular da tela a qualquer momento. Li minha
própria história muitas vezes, e muitas vezes
desejei mudar.
Não
pude! Tomou vida, apartou-se de mim como se não
mais me pertencesse.
Como
na maioria das vezes, a razão me traiu.
Aliou-se
a cadeira e conspirou contra a porta.
Sentei
como sempre fazia, e coloquei novamente meus pertences na gaveta.
A
caneta e o papel estavam bem ali ao alcance das minhas
mãos, e a imagem dela em cores vivas na tela.
Já
nem lembrava mais daquela porta...
Re-Começar
À Lyandra Lagos
