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Remilson
tinha fama de ser um dos
professores mais exigentes daquele colégio na Pavuna, nos
arredores da cidade do Rio de Janeiro. E talvez o
“Re” do seu nome não
fosse por acaso, pois queria fazer sempre melhor.
Ai
de quem cometesse um só erro
de ortografia, sintaxe, concordância, ou até mesmo
uma vírgula esquecida, em
uma das suas redações. Era perfeccionista,
meticuloso ao extremo. O máximo era
mínimo, quando se tratava de exigir de si mesmo.
Com
este perfil, sempre lhe fora
difícil conseguir alguém que lhe aturasse, um par
para dividir aquela sua filosofia e mania de perfeição..., até encontrar, em um
vagão de trem do metrô da Pavuna, aquela que imaginou
ser a mulher há tanto tempo esperada.
Ela
estava lá no “empurra,
empurra” da multidão, e quase não teve
tempo de observá-la em maiores detalhes,
a não ser por carregar no pescoço uma corrente
com a letra “R”, apoiada entre os
seios.
Passou
toda noite imaginando qual
seria o seu nome. Talvez Rose, Rita, Raynara; quem sabe quantos outros
mais...
Queria
a todo custo vê-la
novamente e tentar um início de diálogo, sem
nenhum deslize; de forma tal que
causasse uma boa impressão.
Passou
toda a semana seguinte na
frente do espelho, ensaiando o seu discurso; até decidir por
recitar-lhe um
poema; no seu melhor estilo e jeito de dizer.
Preparou-se
com todo o esmero, e
não poderia ser diferente. Quem sabe fosse também
uma professora exigente,
talvez doutorada. Cuidou de evitar qualquer tipo de engano, um mínimo erro que fosse.
Enfim,
a sua grande oportunidade
havia chegado naquele fim de tarde, com o mesmo vagão de
trem quase vazio. Era
o momento certo para a sua tão esperada
aproximação:
-“Senhora?”
-
“Sei que não me conheces,
contudo, permita-me recitar um poema em sua homenagem”.
A
mulher ficou sem saber o que
dizer, e Remilson viu aí um sinal de permissão,
prosseguindo de forma
eloquente, como jamais houvera feito antes.
Ao
final, todo aquele vagão
silenciou por alguns segundos. Remilson ali parado, esperando ouvir
dela as
suas primeiras sábias e doces palavras.
Com
se tivesse retornado de um
susto, pausadamente ela articulou os lábios e finalmente
fez-se ouvir a sua
voz:
- “Pô
cara... legal!”
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