

Cresci ouvindo meu pai dizer que
trabalhava duro pensando no dia da aposentadoria. Que quando chegasse
esse dia, finalmente poderia descansar e ser mais feliz.
Sempre
que me dizia isto, eu lembrava de uma história bem antiga:
Um
homem, perseguido por um urso corria em disparada, até que
chegou a beira de um abismo. Se ficasse, seria devorado pelo urso
faminto.
Se
pulasse, havia uma boa chance de conseguir se salvar.
Pulou!
Conseguiu
se agarrar em alguns galhos na encosta do abismo e se pendurar.
Contudo, não suportaria ficar assim muito tempo, pois
já lhe faltavam as forças nos braços.
Olhou
para baixo onde deveria cair, e havia uma onça com dentes
afiados a sua espera.
Desviou
então sua atenção para seu lado
direito, onde viu um pequeno morango num pé que ali teimava
em nascer.
Já
havia comido muitos morangos na sua vida, mas aquele lhe pareceu
especial, pois talvez fosse o seu último.
Voltando
ao meu pai, creio que ele jamais percebeu como é importante
ser feliz no presente, e não ficar adiando a felicidade.
Pequenos detalhes, como aquele morango podem ter todo o sabor da
diferença.
Ele
sei foi aos 61 anos de idade, alguns meses antes de poder receber seu
primeiro salário da aposentadoria.
Temos
a mania de deixar pra sermos felizes depois do carro zero, da reforma
da casa, da Tv digital; e acabamos por esquecer o dia de hoje.
Quanto
ao personagem da nossa história?
Dizem
que por puro milagre escapou, e conseguiu a sua segunda chance...
Morangos de Todo Dia
À
meu pai Edson Lucchesi