

Carlos
Lucchesi

Dois rios corriam lado a lado,
Divididos
por uma pequena faixa de pedras,
Sem
nunca terem se tocado.
Aconteceu
que o céu em nuvens negras se fechou,
E das
águas que caíram,
Um dos
rios transbordou.
Um
tocou o outro,
E
brilharam num sorriso de alegria,
Como
se houvesse naquele encontro,
Algum
tipo de magia.
Mas a
chuva forte logo passou,
E
voltaram novamente a ser dois rios,
Como
no momento anterior.
Contudo,
algo ali havia mudado,
Pois
as águas que eram duas
Haviam
definitivamente se misturado.
Mesmo
estando cada um em seu lugar,
Trouxeram
com eles,
Parte
do outro rio,
Que
corria do lado de lá.
Muito
tempo se passou,
E,
apesar da longa espera,
No
céu não se formaram mais pesadas nuvens,
Pra
chover naquelas terras.
Bateram
forte pra romper a parede que os separava,
Mas a
rocha era dura,
Resistia
e não deixava.
Ficaram
muito tempo separados,
Mesmo
bem próximos um do outro,
Correndo
lado a lado.
Assim
como o encontro entre as águas de dois rios,
Também
é todo amor, ou amizade:
Do
outro tiramos sempre;
De
nós deixamos parte.
De
toda esta história,
Uma
lição guardarei sempre comigo:
É
melhor que haja areia do que rocha,
Entre
os rios, ou dois amigos...

Dois Rios: Uma amizade

