Carlos
Lucchesi

Naquele
fim de tarde de outubro, caminhava pela estrada, sem rumo definido,
quando uma borboleta colorida cruzou o meu caminho e flutuou suave bem
a minha frente. Tão próximo que quase podia
tocá-la.
Voou
de um lado para o outro, como se desejasse chamar minha
atenção.
Alguns
passos à frente e ela se distanciou. Decidi
segui-la por entre o verde às margens do caminho para
descobrir o seu destino, e não precisei ir muito longe...
Rodeou
uma árvore florida e foi pousar na mais pequenina de todas
as flores, e me aproximei um pouco mais para observar melhor. Batia
suas asas sobre ela suavemente em movimentos coordenados, como se
fizesse um carinho... Já havia sentido antes aquele perfume;
tinha certeza disso! Talvez em algum momento no passado.
Inesperadamente,
bateu suas asas com maior intensidade, levando consigo a pequena flor;
deixando antes, que uma de suas pétalas caísse
bem na palma de uma das minhas mãos; como se conversasse
comigo e pudesse entender meus pensamentos naquele momento.
Levei
aquela pétala para bem próximo do meu rosto,
quase ao toque dos meus lábios, e pude, então,
sentir novamente aquele mesmo perfume de antes... Era o mesmo da mulher
que um dia eu amei!
Não
tive, no passado, a mesma determinação daquela
borboleta. Deixei escapar, por entre meus dedos, a
oportunidade de ter comigo, para sempre, o perfume da minha flor. Fui
capaz de sonhar e incapaz de voar pra realizar.
Os
nossos sonhos são como o vôo das borboletas:
É mais feliz quem sonha mais e tem coragem pra voar mais
alto. Ter sonhos e não realizar é o
mesmo que ter asas e jamais voar...
Conversando Com As Flores
